ÁGUA – DESPERDÍCIO IGNORADO
Em 2004 mudei para um apartamento que havia adquirido na
planta no final de 2001 no Bosque da Saúde - bairro de classe média em São
Paulo. Um ano depois, quando estava totalmente ocupado, a conta de água começou
a nos preocupar. Chegamos a pagar 9 mil reais. O condomínio de 72 unidades possuía média inferior a 3 ocupantes por apartamento, os quais ficavam praticamente
o dia inteiro fora.
Começamos então com
os cuidados básicos do tipo: caça vazamento, campanhas para economizar, etc. Apesar
disso a economia era quase imperceptível.
Quando me tornei síndico em 2007 consegui aprovar e implantar a
individualização de água. Em média a
redução do consumo ficou em torno dos cinco por cento. O benefício principal
foi o de cada morador arcar com seu consumo. Como a Sabesp não fazia a leitura
individual, a conta era rateada conforme a leitura remota feita em cada unidade
pela empresa contratada.
Conversando com síndicos de prédios mais antigos, de padrão semelhante, descobri que o nosso consumo de água era proporcionalmente mais que o dobro daqueles condomínios. E aí encontrei o motivo: - Os apartamentos de nosso condomínio tinham sistema de aquecimento dos chuveiros (dois) e torneiras de pias (duas dos banheiros mais a da cozinha) por aquecedor de passagem a gás que fica na área de serviço. E aí identifiquei dois tipos de desperdícios:
Conversando com síndicos de prédios mais antigos, de padrão semelhante, descobri que o nosso consumo de água era proporcionalmente mais que o dobro daqueles condomínios. E aí encontrei o motivo: - Os apartamentos de nosso condomínio tinham sistema de aquecimento dos chuveiros (dois) e torneiras de pias (duas dos banheiros mais a da cozinha) por aquecedor de passagem a gás que fica na área de serviço. E aí identifiquei dois tipos de desperdícios:
1.
A vazão da ducha, necessária na utilização desse
sistema é de 9 litros de água por minuto enquanto no chuveiro elétrico é de 3
litros por minuto. Ou seja: no sistema de aquecedor de passagem o gasto de água
para um mesmo banho é de três vezes mais.
2.
Até a água chegar à temperatura desejada nos
chuveiros, se perde de dez a quinze litros de água (em época mais fria) e nas
torneiras da pia, até três litros.
A CONTA DO DESPERDÍCIO DE ÁGUA EM
FUNÇÃO DO SISTEMA DE AQUECEDOR DE PASSAGEM EM NOSSO CONDOMÍNIO ERA DE MAIS DE
50% DE ÁGUA TRATADA JOGADA FORA SEM USO. Como tínhamos um consumo médio de 1.594m³
por mês, O TAMANHO DO DESPERDÍCIO MENSAL ERA DE APROXIMADAMENTE 797 MIL LITROS DE ÁGUA. Tal desperdício
deve se repetir em proporções semelhantes em todas as residências que usam o
aquecedor de passagem. Só em nosso
pedaço de rua (cem metros) três outros prédios tinham situação semelhante.
Participando na platéia de
seminário sobre sustentabilidade no Secovi, com a presença de construtores de
todo país, levantei essa questão, que não foi contestada pelos presentes. O
mediador pediu uma atenção dos construtores para a questão levantada. Um deles
me confidenciou que a solução até existia, mas que era cara. Isso em 2010.
Em outro seminário com a presença
de representante da Sabesp, sobre o uso racional da água, levantei essa questão.
O representante disse que desconhecia, mas que ia averiguar. Na época os níveis
dos reservatórios não estavam na mídia e a Sabesp só com o nosso prédio arrecadava
cerca de sete mil e quinhentos reais... Será que ela tinha algum real interesse
em economia de água...