Em um curso de pós-graduação de Logística Empresarial no ano
de 2012, um professor reforçando conceitos sobre marketing de produto,
enfatizou: -“Nós de Marketing estamos pouco se lixando se daqui a cem anos não
haverá mais água. Nós não vamos viver até lá”.
Veja: não se tratava de uma posição pessoal, mas de retratar
a realidade na concepção de produtos pelas empresas de alto desempenho. Essas
corporações não tem dono, tem gestores. Não tem pátria, tem investidores.
A corrida frenética pela produtividade numa concorrência
altamente competitiva pressiona os gestores a buscar matéria prima e mão de
obra onde os “custos x benefício” forem mais vantajosos: quando se esgota ali, eles
vão pra acolá. E o objetivo? - Vender mais
para aumentar os lucros dos investidores.
Peguemos um exemplo simples: - A PASTA DE DENTE.
Na tentativa de aumentar
as vendas, alguém teve a ideia de alterar o diâmetro do orifício (dispensador)
que permite a saída do produto, passando para o dobro do tamanho do original.
Essa alteração associada à mudança do material da embalagem causou efeito maior
que o estimado: quando o usuário aperta o tubo, chega a sair até quatro vezes a
quantidade necessária, gerando desperdício absurdo, causado pela nova concepção
do projeto do produto.
Estima-se que no mundo se consome bilhões de tubos de pasta
por ano, produzidos por indústrias altamente automatizadas com poucos
empregados.
A principal composição da pasta é água (de 20 a 40%) e minerais extraídos de
rochas. Assim, o desperdício
involuntário praticado pelo consumidor, induzido pelos fabricantes, gera
consumo predatório de matérias primas, em grandes volumes, desnecessário, já
que o objetivo não é o de atender a uma demanda, mas a um desperdício
intencional para aumentar os lucros.
Como em geral essas multinacionais produzem outros produtos
de higiene e limpeza, o mesmo artifício de aumento do orifício do dispensador
para aumentar as vendas, é utilizado em outros produtos. Aliás, indústrias do
ramo farmacêutico e de cosmético também já adotam esse sistema para alguns
itens, ou seja, induzir o desperdício para aumentar as vendas.
Essas empresas sem dono, não estão nem aí se os recursos
naturais são finitos ou se o consumidor pode ser prejudicado por eventual uso
em quantidade além do necessário.
Mas, se você acessar os sites dessas grandes multinacionais
se surpreenderá com as expressões cativantes de Missão, Visão, Valor e
Sustentabilidade.
Loamy Freire de Sá
Pós-graduado em Logística Empresarial
Autor do livro: Compras em Empresas Lucrativas
imagem: google

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