quinta-feira, 20 de agosto de 2015

SUSTENTABILIDADE: AINDA UMA FALÁCIA.


Em um curso de pós-graduação de Logística Empresarial no ano de 2012, um professor reforçando conceitos sobre marketing de produto, enfatizou: -“Nós de Marketing estamos pouco se lixando se daqui a cem anos não haverá mais água. Nós não vamos viver até lá”.
Veja: não se tratava de uma posição pessoal, mas de retratar a realidade na concepção de produtos pelas empresas de alto desempenho. Essas corporações não tem dono, tem gestores. Não tem pátria, tem investidores.
A corrida frenética pela produtividade numa concorrência altamente competitiva pressiona os gestores a buscar matéria prima e mão de obra onde os “custos x benefício” forem mais vantajosos: quando se esgota ali, eles vão pra acolá. E o objetivo?  - Vender mais para aumentar os lucros dos investidores.
Peguemos um exemplo simples: - A PASTA DE DENTE.
 Na tentativa de aumentar as vendas, alguém teve a ideia de alterar o diâmetro do orifício (dispensador) que permite a saída do produto, passando para o dobro do tamanho do original. Essa alteração associada à mudança do material da embalagem causou efeito maior que o estimado: quando o usuário aperta o tubo, chega a sair até quatro vezes a quantidade necessária, gerando desperdício absurdo, causado pela nova concepção do projeto do produto.
Estima-se que no mundo se consome bilhões de tubos de pasta por ano, produzidos por indústrias altamente automatizadas com poucos empregados.
 A principal composição da pasta é água (de 20 a 40%) e minerais extraídos de rochas.  Assim, o desperdício involuntário praticado pelo consumidor, induzido pelos fabricantes, gera consumo predatório de matérias primas, em grandes volumes, desnecessário, já que o objetivo não é o de atender a uma demanda, mas a um desperdício intencional para aumentar os lucros.
Como em geral essas multinacionais produzem outros produtos de higiene e limpeza, o mesmo artifício de aumento do orifício do dispensador para aumentar as vendas, é utilizado em outros produtos. Aliás, indústrias do ramo farmacêutico e de cosmético também já adotam esse sistema para alguns itens, ou seja, induzir o desperdício para aumentar as vendas.
Essas empresas sem dono, não estão nem aí se os recursos naturais são finitos ou se o consumidor pode ser prejudicado por eventual uso em quantidade além do necessário.
Mas, se você acessar os sites dessas grandes multinacionais se surpreenderá com as expressões cativantes de Missão, Visão, Valor e Sustentabilidade.
Loamy Freire de Sá
Pós-graduado em Logística Empresarial
Autor do livro: Compras em Empresas Lucrativas



imagem: google  

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